HISTÓRIA

Um passado nobre

A CHAPADA IMPERIAL é uma Reserva Ecológica Particular, criada em 1999 dentro dos limites da Fazenda Dois Irmãos já preservada desde 1985.

A Fazenda Dois Irmãos muito provavelmente tem sua origem em uma antiga sesmaria*, como a maioria das terras da região.

Seguindo a linha do tempo, o documento mais antigo da Fazenda Dois Irmão data de 1858, é o Registro Paroquial. Antigamente não existiam cartórios e quem registrava as terras era a paróquia da região, na figura do vigários.

Em 1888, no inventário de Ana Agostinha de Alcântara, então proprietária da Fazenda, podem-se perceber coisas interessantes e curiosas. Ela recebeu a fazenda de seu pai, Pedro José de Alcântara e de sua mãe Carolina Josepha Leopoldina. Homônimos ao casal imperial, D. Pedro I e D. Leopoldina. Além dos nomes há outro fator importante, Pedro José de Alcântara era dono de terras que iam do Vale do Paranã até Corumbá. Hoje ainda moram na região seus descendentes, os José de Alcântara, de 4ª geração, na desmembrada Fazenda Jacaré (DF 205), próxima à Fazenda Dois Irmãos.

Nessa época, final do século XlX, outros acontecimentos importantes tiveram lugar. Em 1892 passou pelas proximidades a conhecida Comissão Cruls que, a pedido do Imperador, veio pesquisar a região para a instalação da futura capital do Brasil, como queria José Bonifácio de Oliveira.

A Comissão Cruls

A Comissão, durante o tempo que pesquisou a área, instalou algumas torres para leitura do terreno. Uma foi posta em Sobradinho no ponto mais alto daquela região e outra foi instalada dentro da Fazenda Dois Irmãos, onde hoje se encontra a torre da antiga Telebrasília.

A Coluna Prestes

Outro fato relevante foi a passagem da Coluna Prestes na região em 1924. Segundo pesquisas orais feitas com antigos habitantes locais e complementando o Historiador Paulo Bertrand a Coluna se dividiu na cabeceira do Rio Palma, onde um grupo desceu o rio por uma estrada cavaleira que o margeava e saiu onde hoje é a DF 205 atacando as fazendas dali, inclusive a Fazenda Jacaré. Um segundo braço comandado pelo tenente Siqueira Campos seguiu pelo divisor de águas, onde hoje é a DF-220, com o objetivo de despistar as forças federais, passando portanto na entrada da Chapada Imperial indo até a Vendinha e atacando em seguida a Fazenda Curralinho, dos Cardoso de Oliveira. Enquanto isso Prestes continuou com o grosso da Coluna direto, onde hoje é a DF-001, indo em direção à região dos Macacos-GO.

Os Novos Tempos

De lá pra cá a Fazenda Dois Irmãos viu nascer a cidade de Brazlândia – GO (1933) da qual passou a pertencer na sua área rural. Viu Brazlândia virar DF com o nascimento de Brasília e sentiu com ela as intermináveis invasões de posseiros e invasores.

Em 1986, quando Dr. Francisco Manoel Côrte Imperial, advogado especialista em direito agrário, adquiriu a fazenda, existiam aqui mais ou menos 17 grupos de posseiros e grileiros que invadiram as terras para criação de gado, transformando o cerrado em pastos com vegetação exótica e colonizadora como o braquiaria, ou retiradas de madeiras de lei como angico, aroeira, peroba entre outras.

Durante mais de dez anos Dr. Imperial brigou na justiça pela reintegração da áreas invadidas nos limites da Fazenda.

No final da confusão os sem-terras também queriam seu quinhão e por duas vezes na década de 90 invadiram a fazenda; o prejuízo aí foi grande. Além de desmatar uma área de cerradão (hoje em ameaça de extinção) na entrada da Chapada, ainda constatou-se o desaparecimento de algumas espécies de animais como emas e veados campeiros.

Ao final da década de 90 a fazenda teve um final feliz com uma reintegração de posse ganha na justiça, conseguindo manter os limites originais, como uma antiga sesmaria que era.

Após tantas invasões, na tentativa de sensibilizar a comunidade de Brasília e alertar para o prejuízo que o DF teria com tantas agressões a um santuário como esse, surgiu em 1999 a Chapada Imperial que vem fazendo história, agora, como modelo de preservação em propriedade particular.

Resumindo, a Fazenda Dois Irmãos testemunhou a passagem de bandeirantes, tropeiros, a Comissão Cruls, a Coluna Prestes, além de boa parte de toda gente que iniciou o povoamento da região. Sofreu invasões de todas as modas das épocas com os posseiros, grileiros e sem-terras. A Fazenda é hoje um lugar de memória da história passada e trabalha no presente para fazer história no futuro, preservando para as gerações que virão o conhecimento e a natureza nesse santuário chamado Chapada Imperial.